estrada.

Foto: Alba Piazza

Nota mental: Não esqueça de sonhar. É um conselho dito de verdade, daqueles que entram na lista de coisas mais importantes, de tarefas urgentes a realizar.

Certamente, a gente não entendeu que sonhar era pra sempre. A gente deu espaço demais para as coisas chegarem, crescerem, para as coisas evoluírem. Que bom. Mas a gente não se deu conta de que talvez não tenhamos que viver o tempo das coisas. Talvez tudo de que a gente precisasse fosse apenas participar mais das nossas próprias vidas: por os nossos sonhos em prática.

E isso é tudo. Afinal, quantos dos nossos sonhos ainda são nossos? Quantos deles nós ainda nutrimos, cuidamos com paciência, com tempo. Com o mínimo de tempo que temos, mas tempo. Tempo de dizer a nós mesmos que, se sonhamos, é porque acreditamos na nossa capacidade de erguê-lo em “tamanho real”.

É que a gente aprendeu, lembra? Aprendemos sempre que sonhos são uma estrada de mão dupla. Nós depositamos a nossa esperança e eles nos chegam porque acreditam tanto quanto nós que podemos fazê-los existir. Cada sonho só existe aqui, aqui dentro. E cada sonho gera um momento, um movimento.

Uma ação: cada sonho cresce dentro de nós. Tanto quanto, quando pequenos, nós sonhamos crescer. Ah, se ainda fôssemos aquelas crianças… Se ainda tornássemos a nossa imaginação mais fértil, os nossos corações mais abertos, as nossas vidas mais possíveis. Sonhar é sim coisa de criança, mas só porque a gente quer. 

Só porque, quando crianças, a gente não via que era difícil demais, pesado demais, complicado demais. Quando crianças, a realidade dura tornava-se a possibilidade brilhante. O problema era apenas descobrir a genialidade pura de contorná-lo com o amor à esperança. 

E fomos restando deixar o que era demais. Se a gente voltar os olhos às coisas complicadas, elas crescem. E é de se pensar que, há alguns anos, nós nem sequer sabíamos o significado das palavras grandes e mais difíceis que ouvíamos. Talvez seja esse o segredo para sonhar: que a gente nunca aprenda o significado de impossível.

Larissa Mariano

Texto escrito para a ONG Reviva (http://reviva.org.br) para a coluna Textos de Quinta

Nenhum comentário:

Postar um comentário